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Abelhas e pesticidas

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Compilação de evidências científicas dos impactos dos agrotóxicos nas abelhas. Petição perante a Relatoria DESCA da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

O declínio dos polinizadores além de um fato causa claras consequências adversas que afetam vários setores. Isso se deve às atividades antrópicas, cujas magnitudes, embora variáveis, são capazes de causar consequências drásticas. Por um lado, as espécies dependentes de polinizadores específicos podem simplesmente extinguir-se. Essa interferência na evolução das espécies contribui para a perda da biodiversidade. Em outras palavras, não apenas os polinizadores estão sendo exterminados, mas as espécies que dependem deles também serão extintas. Por outro lado, os polinizadores realizam atividades que também são essenciais para a reprodução de espécies importantes para a alimentação, agricultura e indústria.

Entre os polinizadores de grande importância estão as abelhas. As mais de 25.000 espécies estão envolvidas na polinização de cerca de 50% a 80% das espécies em diferentes biomas, assim como mais de 70% das culturas agrícolas. Além disso, essas populações de abelhas estão diminuindo ou mesmo desaparecendo.

O desaparecimento de populações de abelhas, denominado desde 2006 "Desordem do Colapso das Colônias" (CCD) ou "Desordem do Colapso das Colônias" (CDC), tem causado o desaparecimento de colmeias e populações de abelhas nativas em vários países. As possíveis causas incluem desmatamento, doenças, pesticidas, variedades transgênicas, mudanças climáticas (principalmente temperatura).

Muitos cientistas, além da maioria dos apicultores, admitem que as abelhas são um organismo essencial para a sobrevivência da espécie humana no planeta. Para citar apenas um episódio, durante o Debate Anual Earthwatch de 2008, as abelhas foram consideradas insubstituíveis em comparação com outros animais. O prêmio foi resultado de um debate público entre cientistas. Entre os argumentos apresentados pelo Dr. George McGavin, do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, o seguinte é de grande mérito: a perda de abelhas será catastrófica para a humanidade.

Centenas de estudos já foram publicados sobre os efeitos dos pesticidas nas abelhas, geralmente com resultados adversos para as abelhas. Em geral, os estudos encontraram efeitos agudos e / ou crônicos, dependendo da dose utilizada no estudo. Mais recentemente, aumentaram os estudos sobre efeitos adversos em abelhas com doses subletais de pesticidas.

É neste contexto que Eduardo Martín Rossi. Fernando Cabaleiro, Leonardo Melgarejo, Murilo Mendoca, Gabriela Ferrer, Renato Barcelos e Dagmar Talga decidiram organizar este livro que reúne citações, resumos e links para artigos pouco considerados sobre este tema tão relevante para a humanidade, mas de pouca importância para os governantes em geral . Ele se concentra nas abelhas e suas relações com agroquímicos e OGM. O livro acompanhará a petição internacional da OEA sobre o distúrbio do colapso das colmeias, sua relação com os agroquímicos, com menção a casos documentados na América Latina, bem como casos semelhantes que levaram a decisões judiciais que proibiram ou restringiram o uso vários pesticidas na União Europeia.

Como o leitor verá nos artigos citados neste livro, os estudos sobre o efeito dos inseticidas são muito frequentes e apontam para efeitos dramáticos nas abelhas. No entanto, existem menos estudos sobre o efeito dos herbicidas. Um dos principais motivos é que parte da comunidade científica adotou tacitamente a premissa de que um produto comercial projetado para matar plantas não causaria efeitos adversos aos insetos. Mas essa premissa não é apenas falsa, ela também limita o desenvolvimento de novos estudos. Os resultados dos estudos mencionados neste livro demonstram inequivocamente que são causados ​​os profundos efeitos dos herbicidas nas abelhas.

Em particular, herbicidas de glifosato (HBG) como o Roundup. No Brasil, como em outros países, os herbicidas são os agrotóxicos mais utilizados em comparação aos inseticidas, fungicidas e outros. A evidência científica dos artigos mencionados neste livro sugere que, nas abelhas, o HBG altera o comportamento, reduz o aprendizado olfativo e o aprendizado elementar e a retenção de memória de curto prazo, diminui o tamanho da população, altera a microbiota intestinal dominante, altera a ultraestrutura celular das glândulas hipofaríngeas e aumenta a suscetibilidade a doenças, entre outras.


Existem questões que têm sido objeto de pesquisas crescentes relacionadas aos efeitos subletais dos pesticidas nas abelhas. Aqui mencionarei dois deles. A primeira é a possível sinergia entre estressores ambientais em abelhas. Ao registrar um pesticida, os órgãos reguladores na maioria, senão em todos os países, não exigem a realização de vários estudos de exposição a pesticidas ou que os tratamentos de pesticidas sejam combinados com outros fatores de estresse, como temperatura e doenças . Esses estudos de exposição múltipla são muito relevantes porque simulam o que acontece com as abelhas devido à expansão da fronteira agrícola e ao aumento do uso de diferentes pesticidas nos agroecossistemas.

A outra questão refere-se ao conceito de superorganismo que ganha força. A Apis melifera, como espécie eussocial, tem sido considerada um superorganismo porque uma colméia é formada por um grupo de indivíduos geneticamente relacionados, que funcionam como uma unidade coletiva. Nesse contexto, os estudos que podem ser mais relevantes são aqueles que tratam a colmeia como um superorganismo. Embora já existam estudos com essa estratégia, seu acúmulo permitirá que os órgãos reguladores modifiquem as exigências em termos de avaliação de risco de agrotóxicos, pois o estudo em um pequeno número de abelhas em um curto período de tempo não reflete o que pode acontecer com a colmeia inteira três a quatro meses depois.

O maior número de estudos dos dois acima mencionados, de exposição múltipla e de considerar a colmeia como um superorganismo, pode ajudar a sociedade a neutralizar a perversidade dos atuais padrões de aprovação de agrotóxicos pelos órgãos reguladores. Atualmente não são necessários estudos desta natureza.

Por fim, devemos elogiar a iniciativa de Eduardo Martín Rossi e das pessoas que temos em outros brasileiros na Argentina em torno da utopia da sustentabilidade, da ciência decente e da preocupação com os efeitos adversos dos venenos, pois nesta primeira edição do livro que organizou inclui 201 artigos, com informações que facilitam a busca do título, autor (es), agrotóxico envolvido, resumo em inglês, espanhol e português, bem como o ano, o periódico e o link onde foi publicado.

Por Rubens Onofre Nodari

Link para Download:
♾️ em espanhol: www.naturalezadederechos.org/abejas2020.pdf
♾️ em português: www.naturalezadederechos.org/Bees2020.pdf
♾️ em inglês:
www.naturalezadederechos.org/abelhas2020.pdf

➡️ Organizações que articulam o livro: Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Navdanya Internacional, Movimento Ciência Cidadã, GWATÁ - Núcleo de Agroecologia e Educação do Campo, Natureza dos Direitos.


Vídeo: UE vai proibir pesticidas mortais para abelhas (Agosto 2022).